17 de abril de 2011

porta


Reparei quando a chave rodou e a porta deixou de estar trancada mas não lhe quis dar demasiada importância pois sabia que se poderia voltar a trancar com a mesma rapidez. Não tenho bem a certeza quem é que tomou a iniciativa de pegar na chave e destrancar a porta mas fiquei com a sensação de que fui eu. Contudo, quando reparei realmente em tudo isto, apercebi-me de que a porta estava aberta. Não estava muito, mas estava. Vinha do outro lado um feixe de luz que iluminava de uma forma espantosa o lado de cá. Sim, o lado de cá, que, quando a porta se fechou, ficara numa escuridão aterradora e insuportável mas que se tinha voltado a iluminar aos poucos. Mas esse feixe de luz era diferente, era mais forte, destacava-se entre todos os outros. Reconheço que quem abriu a porta não fui eu, foste tu, e agradeço-te por o teres feito. Pensei até que iríamos conseguir abri-la por completo se juntássemos esforços, mas o problema foi que quando olhei mais cuidadosamente para a porta reparei nas marcas com que ela tinha ficado devido à força e violência exorbitantes com que se tinha fechado. E enquanto essa imagem não me saía da cabeça, apercebi-me que a abertura total da porta só poderia ter efeitos nefastos. Portanto, decidi que era melhor deixá-la assim: aberta, mas só um bocadinho.

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